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Archive for the ‘As coisas belas do mundo … pensadas ou talvez não’ Category

E porque amanhã vou ter de falar de Saramago, passei parte do fim de semana entre livros e sebentas. E por onde começar?…Da verdadeira história de amor entre José e Pilar já muito se disse. Fez como Teixeira de Pascoaes uns anos antes; se Pascoaes foi de barco a Liverpool conhecer a rapariga que viu deambular por Lisboa, Saramago meteu-se no autocarro e foi até Sevilha rever a “sua” Pilar.  Poderia também começar por aqui: “Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra… Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido… Era uma vez a gente que construiu esse convento…era uma vez…mas…entretanto reencontrei isto:

“O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor […] E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: “José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira”. Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo.
 
 
Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.
 

Uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”. Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.”

Sim, é por aqui que vou começar.

Um texto admirável de José Saramago que deu voz e alma aos seus, os fez viajar e perpetuar no tempo, sempre com uma certeza: a viagem não acaba nunca.

Bons Prazeres!

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Como é normal no início de cada ano, pedimos desejos, sorrisos, sorte.

Ano após ano brindamos ao presente, removemos vestígios de águas passadas e sorrimos ao futuro.

E como os Prazeres são o combustível da nossa vida e como neste blog de quando em quando… também lá se escreve qualquer coisa sobre a matéria, decidi não perder a embalagem dos últimos dias do ano velho de 2011 e discorrer qualquer coisa sobre a temática.

De vinhos, 2011 não foi de facto um ano em que tenha feito grandes brindes e provado muitos e bons vinhos (Troika a rir!), porém nos últimos dias do ano, uma surpresa valeu quase pela privação de grandes pomadas do austero 2011.

No ano em que se comemoraram 200 anos do primeiro Porto feito por D.Antónia Ferreira, tive o privilégio de beber um cálice desse verdadeiro vinho fino. 1815 foi então o ano do seu primeiro vinho e confesso que foi o copo que, até hoje, mais tempo levei a beber e a degustar. Caramba, bebi história e estórias! Imaginei o meu bisavô que, durante anos, transportou as pipas para Vila Nova de Gaia, as viagens do Barão de Forrester por esse rio abaixo, as cheias do Douro, o cheiro a terra do Vale Meão…

Da cor, ao sabor a madeira envelhecida, qualquer adjectivo, por mais rebuscado que seja, não chega para exprimir tudo aquilo que ele revelou. Por vezes bebemos coisas antigas, mas que se mostram apenas e só “velhas”… Não é o caso. Foi uma experiência e tanto.

Mas nem só de vinho vive o homem e o blog. Desta vez não vou falar deste ou daquele restaurante (mais uma gargalhada, desta vez exuberante, da Troika…), mas sim de prazeres mais modestos mas que, cada vez mais, se revelam admiráveis e fantásticos.

Não há melhor sala de jantar do que estar no topo daquela falésia deserta do litoral alentejano a comer um pastel de bacalhau e a beber uma mini ou naquele miradouro perdido num longínquo recanto transmontano a beber um Porto.

Apreciam-se os silêncios, bebe-se o vinho do lavrador, come-se aquela alheira, o pão daquele primitivo forno, sempre na melhor das companhias e com a Natureza como pano de fundo.

Atenção escassos leitores deste blog, estes sabores não vêm nos livros!!

Por tudo isto, espero que 2012 me traga mais surpresas e muitos recantos para olhar, apreciar e fruir neste Portugal profundo, sempre fora de estrada onde, para já, não há GNR´s, FISCO´s, Troikas e  ASAE`s.

Até lá, desejo a todos os leitores um 2012 repleto de muitos e Bons Prazeres e, sobretudo, com muita saúde!!

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O tempo e a música andam juntas… Nestes dias de chuva (e de crise) as nossas escolhas deverão ser contra-natura para enfrentar estes tempos e criar uma luz maior, ou então,  embalamo-nos por este tempo de pouca luminosidade, triste  e característico desta época. E foi este último que escolhi esta obra prima de Carlos do Carmo e Bernardo Sasseti, que apesar de tudo nos revigora e “energiza-nos” para os próximos tempos.

JMG

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S.Pedro de Moel.

“Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim”.

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente IV.

 

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 “Mais do que o amor, «são os outros que nos dão a vida, as conversas, os telefonemas a meio da noite, os convites para almoçar, a segurança de saber que podemos contar com alguém, a cumplicidade. O amor são ventanias. Damos-lhe demasiada importância».

Francisco José Viegas

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Nesta época de revolta vale a pena ler o livro de Stéphane Hessel, um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Sinopse
«A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar».
Quem escreve é Stéphane Hessel, 93 anos, herói da Resistência francesa, sobrevivente dos campos de concentração nazis e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos. É com a autoridade moral de um resistente inconformado e de um lutador visionário que Stéphane Hessel nos alerta, neste breve manifesto, para o facto de existirem hoje tantos e tão sérios motivos para a indignação como no tempo em que o nacionalsocialismo ameaçava o mundo livre. Se procurarmos, certamente encontraremos razões para a indignação: o fosso crescente entre muito pobres e muito ricos, o estado do planeta, o desrespeito pelos emigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social, entre tantos outros. Aceitemos o desafio de Stéphane Hessel, procurando neste livro e no mundo que nos rodeia os motivos para a insurreição pacífica, pois “cabe-nos a todos em conjunto zelar para que a nossa sociedade se mantenha uma sociedade qual nos orgulhemos.”

JMG

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Um novo ano traz sempre novos desafios, novas ambições, novos desejos!

Brinda-se à saúde, à felicidade, aos amores, aos amigos.

Gosto muito dos meus amigos; não daqueles com quem tomamos café “quando o Rei faz anos”, daqueles das chamadas “ocasiões”,  mas daqueles que estão sempre presentes.

Gosto deles; não são vegetarianos, macrobióticos, gostam de comer bem e beber melhor. Tanto comem Foie Gras no Tavares como cabidela naquele barracão com o chão coberto de palha (A ASAE não pode saber onde fica!) 

Apreciam as simplicidades da vida, não são fúteis, olham o mundo com curiosidade, não são ociosos e abrem uma garrafa de Porto de ” mil novecentos e troca o passo” às duas manhã para ouvir aquela música ou para olhar a cidade enquanto dorme.

Aprendo imenso com eles.

É um quotidiano feito de partilha, de sorrisos, de prazeres.

Espero que se perpetuem no tempo.

Um tributo à amizade, aos sonhos, ao termos cor na nossa vida e à criança que está em todos nós, compõem a música que ontem ouvi entre amigos e que há anos não ouvia! Aqui fica novamente para eles e para os escassos leitores deste blog!

Bons Prazeres e um excelente 2011!

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